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1964: o Brasil paralelo que não querem que você conheça

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Acabei de assistir ao filme 1964: “Entre armas e livros”, feito pelo projeto Brasil Paralelo e disponibilizado gratuitamente no YouTube. O filme já causou controvérsias no âmbito político e midiático no país, logo que a empresa Cinemark resolveu censurar veladamente a obra em seu espaço, como se a partir de agora filmes como o do Wagner Moura que louva o terrorista Carlos Mariguella estivessem ameaçados de não serem exibidos em suas salas de cinema.

 Temos palavras importantes para resumir esta obra cinematográfica: golpe, revolução, ditadura, guerra, ideologia, democracia, censura, crimes, tortura, cultura e imprensa. Se você analisar cada palavra no conteúdo do filme, perceberá que há de tudo um pouco em cada lado da polarização ideológica que rege o imaginário social.

1964 conseguiu provar – para mim – que a ditadura militar existiu e que o golpe de 64 evitou a instalação de outra ditadura, que é a do proletariado.

Logo, não há mocinhos na esquerda, como não há também mocinhos na direita.

Críticas à democracia liberal americana e sua “tara” por dinheiro e poder não podem ser feitas sem a “contrapartida” de que, do outro lado do mundo, tínhamos uma busca por implementações de regimes totalitários comunistas que promoviam genocídios no atacado.

O documentário trouxe especialistas [e não curiosos] até da República Tcheca que acessaram a documentos nunca antes difundidos em nenhum livro de nenhum historiador formado nas últimas décadas na UFRJ, USP, UFMG e outros.

Vimos que a Guerra Fria tinha os olhos voltados para o país continental e que, após a revolução cubana liderada por Fidel Castro, políticos brasileiros como João Goulart (o “Jango”) estavam se aliando de forma expressa com os comunistas e incitando greves e a instabilidade nacional para que o Congresso aprovasse medidas que facilitariam a “cubanização” do Brasil.

E este é o problema desta ciência. Ela não trabalha com a opinião do profissional, nem mesmo do seu imaginário. A História encontra a sua razão de existir na REALIDADE.

Você que ainda não é um dos mais de 3 milhões de usuários do YouTube (até o momento em que escrevo) que assistiram ao filme, precisa fazê-lo depressa. Separe duas horas do seu dia para isso. E não é para que você chegue à conclusão de que a esquerda é má e a direita é boa ou vice-versa.

É para que você possa compreender que a história que os homens constroem está encharcada de pecado e iniquidade, e que o poder pode fazer com que seres humanos busquem a autoextinção da espécie em nome de um ideal vazio e muitas vezes vil.

A verdade sempre será ofensiva, pois sempre teremos quem não a quer ouvi-la. Por isso mesmo que a gente tem de olhar para trás e ver que ditadura não é o caminho, mas revolução armada ou cultural também não.

Como diz George Orwell, bem citado no filme: “Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.”

 

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